DOI: 10.1017/lar.2026.10166 ISSN: 1542-4278

Fontes para uma terceira margem: Luiza do Valle e a multiplicidade do ser indígena na Ditadura Militar

Carlos Benítez Trinidad, Hygor Mesquita Faria

Resumen

Este artigo analisa a carta enviada em 1975 por Luiza do Valle, indígena Tupi e funcionária da FUNAI, ao Comando da 4ª Brigada de Infantaria, arquivada pela Assessoria de Segurança e Informações da FUNAI (ASI-FUNAI). A partir desse documento e de fontes complementares do Arquivo Nacional, do Museu do Índio e do Armazém Memória, reconstrói-se a trajetória de uma família indígena que atuou durante décadas dentro do aparato indigenista estatal, entre o Serviço de Proteção aos Índios e a Fundação Nacional do Índio. Mobilizando o conceito de “terceira margem”, inspirado em Guimarães Rosa, o estudo questiona as interpretações dicotômicas (resistência/colaboração) que dominam a historiografia sobre a história indígena na Ditadura Militar brasileira (1964–1985). A análise revela a dependência estrutural do indigenismo em relação a agentes indígenas, a continuidade da violência fundiária sobre populações racializadas e as formas de agência exercidas por uma mulher indígena dentro do sistema que a subordinava.

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